Rui Nabeiro – Entrevista 28 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Comendador Rui Nabeiro

Presidente Cafés Delta

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Sobre a Diplomacia Económica Portuguesa: «O Estado deve ter uma atitude. Possui o ICEP para a promoção das exportações, que é um órgão regulador do comércio internacional, mas este não tem correspondido às expectativas. Eu costumo, como sempre, coordenar a minha vida – no comércio, até à internacionalização. Tento fazer o meu trabalho por mim próprio. Mas não haja dúvida que se devia promover uma “atitude firme” nos órgãos competentes da soberania portuguesa. Devia haver um “Marketing próprio” mais forte de todo esse comércio. No meu caso próprio, nem tenho tirado partido disso porque, realmente, se as pessoas ficarem “à espera”, vão acabar por perder as oportunidades.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Comendador Rui Nabeiro. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº28, pp. 232-237.

Rogério Carapuça – Entrevista 27 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Doutor em Engenharia Rogério Carapuça

Presidente do Conselho de Administração da Novabase, Coordenador do Plano de Actividades da Rede PME Inovadoras COTEC

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Sobre a Diplomacia Económica Portuguesa: «Pode haver descoordenações no seio do Governo, mas parte dessas situações podem decorrer do facto do Governo nem fazer ideia que valia a pena coordenar um determinado conjunto de serviços; nunca lhe tinha ocorrido; por isso, os empresários devem reivindicar o que querem. Em relação à multiplicidade de interlocutores. Em Portugal há muitas Associações empresariais; já ouvi um número na ordem das oitocentas. (risos) Mas estamos a falar de Associações, na sua maioria, sectoriais. Seja como for, noutros países – por exemplo, europeus – esse número é muito inferior; sobretudo em países da dimensão de Portugal. De facto, há esse problema em Portugal. Tipicamente, cada qual olha para o seu problema, que é sempre considerado diferente, mesmo que a diferença seja mínima.»

SOUSA GALITO, Maria (2007). Doutor em Engenharia Rogério Carapuça. In Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº27, pp. 226-231.

Miguel Mkaima – Entrevista 26 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Embaixador Miguel Mkaima

Embaixador de Moçambique em Portugal

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«Na actividade diplomática, um dos capítulos mais importante é o da cooperação económica – a nível bilateral e a nível multilateral. A embaixada de Moçambique em Portugal, tem uma vertente virada para a economia, dirigida ao contexto português; para captar interesses económicos portugueses que queiram investir em Moçambique. (…) Nesses termos, a diplomacia económica também tem como função dar informações sobre os níveis/capacidades de desenvolvimento do país acolhido, ao país acolhedor (ou a outros intervenientes, no âmbito multilateral) de forma a satisfazer os seus interesses económicos. Mas também no sentido contrário, com o objectivo de trocar experiências, e observar exemplos de fora que possam ser úteis a Moçambique. Do ponto de vista da globalização, este aspecto é muito importante para o desenvolvimento harmonioso dos países e do mundo, para a criação de um ambiente favorável a nível internacional e que, portanto, favoreça Moçambique. A diplomacia económica joga um papel determinante na observação do que acontece nos outros países, e na troca de experiências.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Embaixador Miguel Mkaima. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº26, pp. 217-225.

Matthew T. Harrington – Entrevista 25 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Mr. Matthew T. Harrington

Conselheiro de Assuntos Políticos e Económicos, Embaixada dos Estados Unidos da América em Portugal (2006)

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«We deal directly with those countries, because we have diplomatic relations with all of them. US have a strong presence in Africa. In Angola and Mozambique we have a very strong presence. At the same time, we recognize that Portugal has a long standing History as well as linguistic ties. Thus we are talking to Portugal authorities about things we might do together in Africa; and specifically in African countries that speak Portuguese. So, we are thinking about opportunities in Mozambique and Angola. That cooperation is trilateral.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Mr. Matthew T. Harrington. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº25, pp. 211-216.

Margarida Figueiredo – Entrevista 24 – Diplomacia Económica

Entrevistada: Embaixadora Margarida Figueiredo

Directora Geral dos Assuntos Multilaterais, Ministério dos Negócios Estrangeiros (2006)

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«Os tempos mudam e o Ministério dos Negócios Estrangeiros teve de reforçar a sua vertente económica. Quando cheguei a Varsóvia, apercebi-me do potencial gigantesco da Polónia. Portugal já lá estava representado por várias empresas – e sempre num crescendo, porque cada vez chegavam mais – e o que eu fiz – porque gosto de me dedicar a estas iniciativas – foi pedir a todos os representantes das nossas empresas que me visitassem, se o desejassem, pois eu gostaria de os conhecer. Todos responderam ao apelo. Entretanto, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, decidiu-se a favor da fusão/integração das Delegações do ICEP nas embaixadas. Nalguns países, essa fusão já existia. Em Varsóvia, fui eu que resolvi essa questão. Qual o contributo de uma embaixada? Eu e o meu Conselheiro Económico da embaixada (também Delegado do ICEP), organizámos um grupo de gestores e empresários da Polónia que reunia em função das necessidades. As embaixadas podem promover as empresas, mostrar o valor dos nossos produtos. Quando os empresários se deparam com problemas, o embaixador às vezes pode ajudá-los a resolver esses problemas.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Embaixadora Margarida Figueiredo. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº24, pp. 201-210.

 

Manuel Ramires de Oliveira – Entrevista 23 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Dr. Manuel Ramires de Oliveira

Assessor do Ministério da Economia (2006)

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«Sejamos realistas. No meu entender, onde há poder há rivalidade. Independentemente do tipo de cooperação que possa ser definida, cada uma das partes vai querer protagonismo para si próprio. É humano. (…) Por um lado, os embaixadores dizem: “Nós é que somos os representantes do Estado no exterior, portanto, nós é que devemos comandar os esforços dessa representação.” Por outro lado, temos toda a máquina do ICEP, a dizer: “Nós é que somos os técnicos, é que conhecemos os produtos e os sectores de actividade; é que conhecemos as características das nossas empresas; consequentemente, nós é que estamos em condições de ajudar as empresas portuguesas a ultrapassar as suas dificuldades e os seus desafios no exterior.”»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Dr. Manuel Ramires de Oliveira. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº23, pp. 189-200.

Luis Fonseca – Entrevista 22 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Embaixador Luís Fonseca

Secretário Executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPLP (2006)

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«Quais os países que investem em intelligence económica? Ás vezes é uma questão de recursos; se os países podem investir nessa área ou não. Os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, por exemplo, mesmo que desejassem investir nessa área, é possível que lhes faltassem recursos para poder fazê-lo; e o próprio grau de desenvolvimento desses países, talvez nem o justifique. Mas a recolha de informação sobre oportunidades de negócio, de investimento e de promoção das capacidades nacionais, no meu ponto de vista, é fundamental e está a ganhar importância; porque a Economia está a conquistar terreno nas relações internacionais. Veja-se o caso da China.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Embaixador Luís Fonseca. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº22, pp. 184-188.

José Guedes Dias – Entrevista 21 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Dr. José Guedes Dias

Director de Alianças e Relações Externas da TAP – Transportes Aéreos Portugueses (2006)

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«(…) o enquadramento regulatório em que o acesso ao mercado é feito por parte das empresas de aviação está, todo ele, baseado numa teia de acordos bilaterais de transporte aéreo que são, a seu tempo, negociados entre Estados. É extremamente vantajoso para a TAP que os representantes diplomáticos portugueses, tenham uma noção sobre os mínimos da actividade das companhias aéreas – quer ao nível dos direitos de tráfego, do próprio enquadramento concorrencial, ou das dificuldades que estas empresas possam ter no acesso a infra-estruturas, como aeroportos e corredores aéreos.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Dr. José Guedes Dias. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº21, pp. 178-183.

Jorge Braga de Macedo – Entrevista 20 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Prof. Doutor Jorge Braga de Macedo

Presidente do Instituto de Investigação Científica Tropical

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«Neste momento, para mim, a prova dos noves é a CPLP. A CPLP tem o Brasil – um gigante, portanto. Iniciativas de sucesso ao nível da economia – um dos objectivos desde a Cimeira de Brasília (2002) e que levou à criação de um Conselho Empresarial da CPLP (sistema que existia na OCDE mas ao nível de países que falam a nossa Língua) – para mim são a prova de que se estão a conseguir regras claras. Como imagina, fazer diplomacia económica com Angola ou com Cabo Verde é radicalmente diferente. Não só por nós – um tem petróleo, o outro tem potencial abertura aos mercados africanos e americanos. (…) Se calhar, se olhar para o número de vezes que os Bancos Centrais da CPLP comunicam entre si, vai encontrar um indicador muito interessante, porque eu estou convencido que os Ministros só falam quando há crise. Por exemplo, o Secretário Executivo da CPLP passa semanas na Guiné-Bissau. Em Timor-Leste assume o papel de bombeiro. Muito importante. Mas não é o problema da diplomacia económica. Por outras palavras, aquela questão da Interdependência complexa de que lhe falei há pouco, está longíssimo de existir no seio da CPLP. É um desafio muito específico de Portugal – a CPLP é das poucas, se não a única organização internacional com sede em Portugal. Ao termos carinho pela CPLP – não só dando-lhe um palacete na Lapa, mas ajudando a nível económico – estamos a demonstrar a nossa maturidade multilateral.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Prof. Doutor Jorge Braga da Cruz. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº20, pp. 166-177.

João Marques da Cruz – Entrevista 19 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Mestre João Manuel Marques da Cruz

Presidente do ICEP (2006)

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«O Estado quando se mete em projectos empresariais, só faz asneira. O que o Estado deve dizer é: “Empresas, fundam-se”, “se fizerem processos de fusão, nós damos uma isenção fiscal”, coisas desse tipo. Mas as empresas é que têm de saber se o querem fazer. O Estado pode dar conselhos. O Estado ajudou a criar a Mglass, relacionada com produtos de vitrocristal de grande qualidade com o objectivo de exportar para os EUA. O Estado criou uma empresa, conjuntamente com câmaras municipais e alguns privados (minoritários), obviamente que a empresa está falida. O Estado não sabe gerir empresas. O Estado tem de ser o motor para impulsionar os outros a fazer. Dar isenções e apoios fiscais, para que as iniciativas privadas se concretizem mas não mais do que isso.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Mestre João Manuel Marques da Cruz. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº19, pp. 158-165.