João Carlos Espada – Entrevista 18 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Prof. Doutor João Carlos Espada

Director do Instituto de Estudos Políticos, Universidade Católica Portuguesa de Lisboa

Ler Entrevista em PDF: ENT18-Joao-Carlos-Espada

«Percebo que se diga que depois da Guerra Fria vivemos um mundo unipolar e que estamos a caminho de um mundo multipolar mas, na verdade, logo nunca houve um mundo unipolar. Em rigor, a ideia de um mundo multipolar é impossível – não digo no plano conceptual. Nem sei se vivemos num mundo unipolar na época dos impérios britânico ou romano. Quando caiu o muro de Berlim, a superpotência que sobrou das duas (EUA e União Soviética) foi a América. Mas isso não quer dizer que passou a ser a única superpotência, ou que antes havia um mundo bipolar. (…) Fundamento alguma reserva em relação ao termo bipolar, uma vez que o “pólo Ocidental” equivalia a uma galáxia de pólos. Depois porque quando caiu o Muro de Berlim já países como a China e a Índia eram países emergentes.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Prof. Doutor João Carlos Espada. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº18, pp. 149-157.

João Brazão – Entrevista 17 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Dr. João Brazão

Presidente do Conselho de Administração do Grupo Promosoft

Ler Entrevista em PDF: ENT17-Joao-Brazao

Sobre a Diplomacia Económica Portuguesa: «Estamos activos em todos os mercados da CPLP como exportadores, e como importadores no caso do Brasil. Houve uma deslocação do Primeiro-Ministro a Angola. A Promosoft é a mais importante empresa a exportar software para Angola e não fomos convidados. Portanto, há aqui uma discrepância muito grande entre aquilo que são as intenções manifestadas – se quer que lhe diga, um pouco para “encher o olho” em termos políticos – e o que é a prática.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Dr. João Brazão. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº17, pp. 143-148.

Gedião Vargas – Entrevista 16 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Dr. Gedião Vargas

Secção Comercial da Embaixada do Brasil em Lisboa (2006)

Ler Entrevista em PDF: ENT16-Gediao-Vargas

«O mercado português é relativamente pequeno, ainda mais em relação ao mercado brasileiro. A oferta brasileira é gigantesca. A embaixada brasileira não é aquele organismo incontornável, que todos os empresários brasileiros tenham de consultar; mas mesmo não sendo esse catalisador indispensável do mercado Brasileiro para Portugal, nos últimos três anos, fez mais de 300 consultas a produtores de cachaça (um artigo convencional/tradicional brasileiro, como seria o azeite português). Mas existem três ou quatro efectivos importadores portugueses interessados nesse produto. Portanto, as exportações brasileiras são gigantescas e geram uma sobrecarga no mercado português. O importador já não quer saber de missões brasileiras relacionada com cachaça. Esse mercado já está pressionado, ao ponto de o produtor brasileiro ter dificuldades em entrar e exportar para Portugal. O mercado luso é aberto mas atingiu, em certos casos – não digo a saturação – mas o seu limite natural

SOUSA GALITO, Maria (2006). Dr. Gedião Vargas. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº16, pp. 133-142.

Francisco Knopfli – Entrevista 15 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Embaixador Francisco Knopfli

Professor Universitário, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP)

Ler Entrevista em PDF: ENT15-Francisco-knopfli

«A diplomacia começou por ser comercial, de apoio aos mercadores no estrangeiro? De certa maneira sim, mas é preciso dizer que os empresários, muitas vezes, pensam que os diplomatas estão ao serviço dos empresários. Não é assim. Os empresários portugueses têm de tomar a iniciativa. Muitas vezes não tomam, estão à espera – e isto foi dito pelo próprio Ministro Freitas do Amaral – que alguém lhes mostre o caminho. E se puderem importar/exportar sem risco, melhor. Obviamente, noutros países não é assim.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Embaixador Francisco Knopfli. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº15, pp. 125-132.

Fernando dos Santos Neves – Entrevista 14 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Prof. Doutor Fernando dos Santos Neves

Reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa (2006)

Ler Entrevista em PDF: ENT14-Fernando-Santos-Neves

««Foi-me dito que teria sido eu o responsável pela introdução do termo Lusofonia nos Estados de Língua Portuguesa. Nunca tinha pensado nisso. Mas, de facto, fui consultar os dicionários e só a partir do fim dos anos 70 é que a palavra Lusofonia aparece. (…) A Lusofonia que interessa construir começa, obviamente, por uma questão de Língua. Não é por uma questão cultural, porque é preciso fazer valer as diferenças. É um absurdo falar em países de expressão portuguesa. Por exemplo, os PALOP possuem Língua Oficial Portuguesa mas não são de expressão portuguesa, e sim de expressão africana, espero eu! A literatura produzida por angolanos, brasileiros e moçambicanos, não é de expressão portuguesa, mas de expressão angolana, brasileira e moçambicana. O que temos em comum é uma Língua.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Prof. Doutor Fernando dos Santos Neves. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº14, pp. 116-124.

Emílio Aquiles de Oliveira – Entrevista 13 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Eng. Emílio Aquiles de Oliveira

Direcção Geral dos Assuntos Económicos, Ministério dos Negócios Estrangeiros (2006)

Ler Entrevista em PDF: ENT13-Emílio-Aquiles-Oliveira

«Realizámos um inquérito em 2005, sobre o grau de satisfação das empresas com o apoio oficial à exportação no estrangeiro (Embaixadas e ICEP). Explorou-se uma amostra pequena, e não científica – na medida em que não se conhece com perfeição o universo das empresas exportadoras portuguesas no seu conjunto. Segundo esta amostra, apenas 20% das empresas exportadoras recorreram aos serviços de Estado em 2005.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Eng. Emílio Aquiles de Oliveira. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº13, pp. 104-115.

Eduardo Jorge Silva – Entrevista 12 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Conselheiro Eduardo Jorge Silva da Embaixada de Cabo Verde (2006)

Ler Entrevista em PDF: ENT12-Eduardo-Silva

«Em Portugal, às vezes há tendência para dizer que fizemos todos coisas bonitas. É mentira. O colonialismo foi o processo muito complicado. Durante várias centenas de anos, Cabo Verde viveu crescimentos populacionais negativos porque morria gente à fome. Portugal – não os portugueses em geral, mas a autoridade portuguesa – era o principal empecilho para que se procurassem apoios e soluções para o crescimento económico, para a viabilidade das ilhas. O colonialismo deixou marcas muito profundas na História de Cabo Verde. Mas tivemos um homem brilhante, único, que se chamou Amílcar Cabral que, por sinal e ainda bem, viveu em Portugal enquanto estudante e conseguiu aperceber-se de uma dicotomia que foi peça-chave do nosso sucesso: a nossa luta não é contra os portugueses, mas contra o colonialismo português. Até nos seus estudos, Amílcar Cabral concluiu que o colonialismo era tão inimigo dos cabo-verdianos, como dos próprios portugueses.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Conselheiro Eduardo Jorge Silva. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº12, pp. 91-103.

Belmiro de Azevedo – Entrevista 11 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Eng. Belmiro de Azevedo

Presidente da SONAE

Ler Entrevista em PDF: ENT11-Belmiro-Azevedo

«Pois bem, o problema da diplomacia económica em Portugal é que não se podem fazer boas omeletas sem os ovos certos. Os diplomatas portugueses, por razões diversas – historicamente conhecidas – não foram, nem educados para a componente económica, nem treinados para serem agressivos nas negociações, nem foram incentivados a serem independentes.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Eng. Belmiro de Azevedo. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº11, pp. 85-90.

Basílio Horta – Entrevista 10 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Dr. Basílio Horta

Presidente da Agência Portuguesa de Investimento – API (2006)

Ler Entrevista em PDF: ENT10-Basilio-Horta

«Em termos de diplomacia económica, o que está a ser feito é muito pouco. Para não dizer que o termo é muito usado mas em sentido estrito, porque o Estado Português – em termos diplomáticos e por tradição – não tinha no exterior, até há bem pouco tempo, uma cabal representação da nossa economia. Portugal preocupa-se muito com a chamada “diplomacia clássica” – com as relações internacionais em sentido estrito – mas pouco em fazer negócios. Tão simples quanto isso, fazer negócios. A verdade é que o mundo actual não se compadece com essa posição.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Dr. Basílio Horta. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº10, pp. 79-84.

Armando Marques Guedes – Entrevista 9 – Diplomacia Económica

Entrevistado: Prof. Doutor Armando Marques Guedes

Presidente do Instituto Diplomático (2006)

Ler Entrevista em PDF: ENT9-Armando-Marques-Guedes

«Por tudo isto, acho que a diplomacia estruturalmente – sobretudo a nova diplomacia económica – deve ser muito diferente daquilo que foi em meados do século XIX, ou até em meados do século XX. Estou completamente de acordo com a ideia de que a diplomacia é filha do seu tempo, e o facto torna-se sensível sobretudo quando há alterações para lá das conjunturais, alterações estruturais, no sistema internacional.»

SOUSA GALITO, Maria (2006). Prof. Doutor Armando Marques Guedes. In (2007) Trinta Entrevistas no Âmbito da Diplomacia Económica de Portugal no Atlântico. CI-CPRI, ENT, Nº9, pp. 68-78.